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Opinião Terça-feira, 10 de Outubro de 2023, 14:59 - A | A

Terça-feira, 10 de Outubro de 2023, 14h:59 - A | A

Fellipe Valle

Trauma Ortopédico em Foco: Como Garantir um Dia das Crianças Seguro

Fellipe Valle
MQF

O trauma ortopédico infantil é uma preocupação comum para pais, cuidadores e profissionais de saúde. As crianças são naturalmente ativas e exploradoras, o que as coloca em risco de sofrer lesões musculoesqueléticas. Neste artigo, exploraremos as várias facetas do trauma ortopédico infantil, desde os tipos de lesões mais comuns até as medidas de prevenção e cuidados durante o processo de recuperação.  

A maioria das fraturas está relacionada a quedas no ambiente doméstico, afetando em maior proporção os membros superiores (clavícula, punho, antebraço e cotovelo). É importante ressaltar que um trauma que provoca uma fratura nem sempre é violento. Um tropeço, por exemplo, seguido de queda ao chão pode ser suficiente. 

Os ossos da criança apresentam diferenças em relação aos dos adultos. Essas diferenças são importantes para determinar o tipo da lesão, o tratamento e o prognóstico em caso de fratura. O osso da criança apresenta maior elasticidade e porosidade; o periósteo – membrana de tecido conjuntivo que reveste exteriormente os ossos – é mais resistente e há a presença das cartilagens de crescimento. Além disso, como a criança está em crescimento, a capacidade de seu corpo de formar e desenvolver os ossos é superior à do adulto. 

As principais fraturas que ocorrem na criança são as chamadas fraturas em “galho verde”, onde o osso é “lascado” ou “trincado”, sendo que um lado dele permanece íntegro; fratura em torus, onde o osso de um dos lados sofre uma compressão (amassa) e o outro lado fica íntegro; deformidade plástica, onde o osso “entorta” mas não quebra e as lesões da área de crescimento, chamadas de epifisiólise.

O sintoma mais importante da fratura é a dor imediata produzida pelo trauma. Essa dor se acentua com o movimento ou com a compressão da região afetada. Assim, a criança evita movimentar o membro fraturado, o que é chamado de impotência funcional. A presença de movimento ativo não afasta a possibilidade de fratura.

Existem algumas dicas para observar a possível lesão. Quando a fratura ocorre nos membros inferiores, a criança evita apoiá-los no chão ou manca. Em alguns casos, há deformidade aparente após o trauma. O inchaço (edema) é comum, mas não fundamental. Especialmente em crianças com maior proporção de gordura o edema e os hematomas podem ser de difícil visualização. Às vezes surgem hematomas (manchas violetas) na pele, que representam um sangramento interno. Isso, porém, não é motivo para alarme. Em certas situações, verifica-se uma movimentação anormal do osso no local da fratura, acompanhada de barulho ou sensação de raspar. 

Caso testemunhem o acidente, os pais ou responsáveis devem relatar ao médico a situação e a forma como a criança caiu ou foi atingida. Do mesmo modo, informar a circunstância em que a criança mais sente dor pode contribuir para o diagnóstico: observe se ela grita ou chora ao trocar de fralda ou ao ter seu braço pressionado, por exemplo.

A primeira providência consiste em imobilizar o membro fraturado. Isso reduz a dor e o inchaço e evita que a lesão aumente (imobiliza-se o membro na posição que está). Se, além da fratura, houver ferimento, recomenda-se a limpeza com água corrente ou soro fisiológico. Deve-se cobrir com material limpo ou estéril até a ida ao serviço de emergência. Caso haja sangramento abundante, faça uma compressão moderada na ferida para estancar o sangue. 

O tratamento, resultado e prognóstico de uma fratura estão relacionados a fatores como idade, gravidade, tipo e localização do trauma. Dessa forma, é importante que os pais falem com o ortopedista responsável e sejam esclarecidos quanto às particularidades do tratamento. As informações de outros pais que tiveram filhos com fraturas “semelhantes” podem não ser aplicáveis àquela criança. Após a avaliação com radiografias ou outros métodos de imagem o médico irá decidir se o tratamento será conservador, com gesso ou tala gessada, ou se será necessário cirurgia.

Cuidados ao usar gesso :

O gesso é utilizado para manter a posição adequada da fratura, protegendo o membro e aliviando a dor. Se a criança engessada apresenta choro intenso, desconforto acima do normal ou se queixa de dor, deve-se procurar imediatamente o ortopedista ou o serviço de emergência. 

Criança engessada: sinais de alerta 

Deve-se procurar ajuda médica em caso de:  dor intensa, acima do normal, progressiva, sem resposta ao uso de analgésico;  inchaço dos dedos;  palidez dos dedos ou extremidades roxas;  dedos frios;  formigamento ou alteração de sensibilidade;  dedos muito dobrados;  dificuldade para movimentar os dedos.  Esses sintomas indicam que pode estar havendo uma compressão capaz de lesionar nervos e músculos, que, se não for tratada prontamente, pode deixar sequelas graves.     

FONTE : Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e SBOP 

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Cuiabá MT, 17 de Junho de 2024