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Saúde Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2023, 11:01 - A | A

Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2023, 11h:01 - A | A

sono

Dormir mal diminui o humor e prejudica o emocional, mostra pesquisa

Sem descanso, os riscos de aumentar a ansiedade, reduzir a qualidade de vida e elevar a possibilidade de infelicidade são grandes, o segredo está em uma boa noite de sono

Correio Braziliense
MQF

Não se trata apenas de cansaço, a falta de sono tem efeitos prejudiciais significativos no funcionamento emocional, diminuindo o humor positivo e aumentando o risco de sintomas de ansiedade. Essas são as conclusões de um estudo da Sociedade Americana de Psicologia, detalhado, ontem, na revista Psychological Bulletin, que compilou mais de 50 anos de pesquisa sobre privação de sono e seu impacto no humor.

Numa sociedade amplamente privada de sono, entender os efeitos dessa situação nas emoções é crucial para promover a saúde psicológica", destaca Cara Palmer, principal autora do estudo e pesquisadora da Montana State University.

 
 
 

Os cientistas analisaram dados de 154 estudos realizados ao longo de cinco décadas, com um total de 5.715 participantes. Os voluntários foram submetidos a distúrbios do sono, permanecendo acordados por longos períodos, dormindo menos que o habitual ou sendo acordados durante a noite. Cada ensaio avaliou variáveis relacionadas à emoção, como humor, resposta a estímulos emocionais e medidas de sintomas de depressão e ansiedade.

Os resultados revelaram que todos os três tipos de privação de sono resultaram em menos emoções positivas, como alegria e felicidade, entre os participantes, além de um aumento nos sintomas de ansiedade, como batimentos cardíacos acelerados e maior preocupação. Esses efeitos foram observados mesmo após períodos relativamente curtos de privação de sono, indicando a rapidez com que a falta de sono pode afetar o bem-estar emocional.

 

"A privação de sono não apenas aumentou os sintomas de ansiedade, mas também diminuiu a excitação em resposta a estímulos emocionais", acrescentou Palmer, em nota. Embora os resultados relacionados à depressão tenham sido menores, a pesquisa destaca a necessidade de investigações futuras com amostras etárias mais diversificadas.

Qualidade

Izabelle Santos, psicóloga do Hospital Anchieta, frisa que um sono de qualidade e por tempo adequado pode proporcionar diversos benefícios. Fortalece o sistema imunológico, libera a produção de alguns hormônios e consolida a memória. Dormir bem ajuda no equilíbrio psíquico, emocional e metabólico e restabelece a disposição.

 

"O sono é extremamente relevante para manter o bom-humor também. A falta dele gera cansaço, estresse e irritabilidade, logo, a pessoa que não dorme bem pode ficar ansiosa e sem disposição", disse a psicóloga. 

Mais de 30% dos adultos e até 90% dos adolescentes não dormem o suficiente, alerta a autora principal. As implicações desse cenário para a saúde individual e pública são substanciais. Em trabalhos propensos à privação de sono, como socorristas, pilotos e caminhoneiros, os cientistas recomendam o desenvolvimento e a adoção de políticas que priorizem o sono.

 

Juliana Gebrim, neuropsicóloga pelo Instituto de Psicologia Aplicada e Formação de Portugal (Ipaf), ressalta que estudar o sono é essencial porque ele desempenha um papel crucial na saúde física e mental. "Compreender seus mecanismos pode levar a avanços no tratamento de distúrbios, melhorar a saúde geral e aumentar a qualidade de vida. Além disso, pesquisas sobre o tema contribuem para uma compreensão mais profunda da cognição, do funcionamento cerebral e até mesmo da prevenção de problemas de saúde." 

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Cuiabá MT, 19 de Maio de 2024