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Saúde Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2023, 11:12 - A | A

Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2023, 11h:12 - A | A

ao longo da vida

Estudo mostra que males para o coração se acumulam com o tempo

Estudo feito por equipes de diferentes países mostra que pressão alta e colesterol elevado favorecem o surgimento de doenças cardiovasculares mesmo após serem controlados

Correio Braziliense
MQF

Estudo realizado por cientistas da Austrália e do Reino Unido investigou a associação entre a pressão arterial e o colesterol (LDL-C) com a doença coronariana (DAC) ao longo da vida. Conforme o trabalho, publicado, ontem, na revista Plos One, ter esses dois indicativos elevados em idades mais jovens, até os 55 anos, mesmo que sejam controlados posteriormente, está relacionado a um risco aumentado para a saúde cardiovascular.

Para o trabalho, os cientistas usaram dados de 395.543 participantes do UK Biobank, um biobanco de informações do Reino Unido, e fizeram uma análise para avaliar a relação causal entre os fatores de risco e a doença coronariana. Os resultados revelaram uma associação significativa entre níveis mais elevados de pressão arterial e de colesterol com um maior risco de DC, com efeitos consistentes em várias faixas etárias.

Conforme os autores, em particular, a exposição LDL-C elevado e pressão alta em idades mais jovens foi associada a um risco aumentado de DAC independentemente dos níveis serem normalizados posteriormente. Isso sugere que o controle precoce desses fatores de risco é crucial para prevenir a condição ao longo da vida.

Os pesquisadores enfatizaram a relevância clínica dessas descobertas, observando que "os resultados fornecem insights valiosos sobre a contribuição da PAS e do LDL-C para o risco de DC em diferentes estágios da vida." Além disso, a técnica utilizada para avaliar a relação também ajudou a trazer clareza para o ensaio.

A análise por idade revelou que "os efeitos da PAS e do LDL-C na DAC foram consistentes em diferentes grupos etários, destacando a importância contínua desses fatores de risco. Essa descoberta tem implicações significativas para a prática clínica e as estratégias de prevenção, ressaltando a necessidade de intervenções direcionadas em diferentes faixas etárias para reduzir o risco de doença coronariana.

Resultados

Os resultados ressaltam ainda a importância de considerar a interação entre outras questões que podem impactar em uma abordagem eficaz na prevenção da condição.

Conforme Lázaro Miranda, conselheiro da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Distrito Federal e cardiologista no Hospital Santa Lúcia, os indicativos de risco que contribuem para o surgimento e desenvolvimento da doença aterosclerotica coronária são múltiplos e muitos ainda serão descritos. "Essa pesquisa confirma a premissa de que quanto mais longo o tempo de exposição a valores elevados de Pressão Arterial Sistólica (PAS) e Lipoproteína de Baixa Densidade (LDL), maior é o risco de gerar DAC e suas temíveis complicações, como infarto e acidente vascular."

Miranda narra que o conhecimento acerca da condição é representado pela forma de um iceberg. "Buscamos, incessantemente, revelar toda a sua base, onde se oculta o chamado risco residual."

Apesar dos resultados consistentes, os estudiosos apontam que o trabalho tem algumas limitações, como a falta de dados de ensaios clínicos randomizados em populações jovens. "No entanto, as descobertas fornecem uma base sólida para futuras pesquisas e intervenções clínicas."

 

Thiago Germano de Siqueira, cardiologista do hospital Anchieta, em Brasília, reforça a importância da prevenção dos problemas cardiovasculares ainda na juventude. É muito importante que aconteça precocemente, porque a gente sabe que esses fatores de risco são acumulativos ao longo da vida. Iniciando logo você está diminuindo o tempo de exposição desse paciente e a chance dele desenvolver a doença cardiovascular."

Siqueira acrescenta que, no Brasil, tem grandes índices de problemas cardíacos, uma questão de saúde pública. "Estamos num contexto de mais de 380 mil mortes por doença cardíaca no Brasil, apenas este ano. É a condição que mais mata no mundo, se somar todos os tipos de câncer não dá o número de mortes por doença cardiovascular. Temos que ser agressivos no tratamento desses pacientes, a gente tem que sair dessa inércia terapêutica e realmente ser incisivo e demonstrar a importância de se tratar, de prevenir ainda numa fase mais jovem."

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Cuiabá MT, 25 de Maio de 2024