O ex-ministro da Agricultura Neri Geller cobrou, em fala pública, a construção de um Plano Safra “robusto” e com juros mais competitivos. Segundo ele, são necessários R$ 50 bilhões adicionais para dar lastro às políticas de crédito e de garantia de preços. “Cadê? Quem que discute sobre isso? Hoje precisaria de 50 bilhões de reais para fazer um plano safra robusto”, afirmou.
Geller mirou a Secretaria de Política Agrícola e o Congresso, criticando a ausência de um debate técnico. “A Secretaria de Política Agrícola não faz. O próprio Congresso Nacional peca. O debate ideológico superou qualquer boa vontade de discutir as questões técnicas”, disse, ao defender a retomada de critérios racionais para calibrar juros e instrumentos de apoio ao produtor.
Para o ex-ministro, a construção de soluções passa por diálogo político efetivo. “Consegui aprovar matérias importantes porque tinha capacidade de articulação e de diálogo. Para resolver os problemas, você tem que conseguir dialogar”, pontuou, reforçando que as atuais taxas e o desenho do Plano Safra “estão muito além do que o setor precisa”.
No campo orçamentário, Geller sugeriu remanejar parte das emendas parlamentares para irrigar o crédito rural. “Tem 80 bilhões de reais de emenda parlamentar. Tira 20 dali e joga no Plano Safra. Trabalha o orçamento no Congresso Nacional. Cria alternativas”, declarou, ao criticar “excesso de gastos para tudo que é lado” sem foco na produção.
Ele também fez um alerta sobre o impacto no campo caso nada mude. “É hora de sair do debate ideológico e ir para o pragmatismo. Precisamos resolver os problemas, porque logo ali na frente o impacto vai ser direto e muitos produtores vão sair da atividade”, concluiu.


