facebook instagram youtube whatsapp

Opinião Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 08:27 - A | A

Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 08h:27 - A | A

Diego Castro

Estamos educando nossos filhos com algoritmos

Diego Castro
MQF

Vivemos uma época em que a educação dos nossos filhos já não acontece apenas dentro de casa, na escola ou nas brincadeiras de rua. Ela acontece, cada vez mais, mediada por telas, aplicativos, jogos, desenhos animados e plataformas digitais. Sem perceber, estamos delegando parte significativa da formação das nossas crianças a algoritmos.

Quando deixamos nossos filhos vulneráveis às redes por meio de desenhos, jogos e outros conteúdos digitais, precisamos ter clareza de uma coisa: estamos sendo vistos e ouvidos. Nossas conversas, hábitos, rotinas e necessidades diárias passam a ser monitoradas. O que se diz dentro de casa, muitas vezes pelas próprias crianças, alimenta sistemas que coletam dados de forma constante.

Isso ajuda a explicar por que recebemos tantas propostas de lojas, anúncios e publicidades relacionadas exatamente ao que foi comentado na sala, na cozinha ou durante uma brincadeira. Não se trata de coincidência. Trata-se de dados. Dados que são capturados, analisados e transformados em oportunidades comerciais.

Além disso, expomos nossos filhos desde cedo a cadastros em jogos, plataformas educativas, redes sociais e ambientes virtuais interativos. Muitas vezes, sem perceber, estamos criando perfis digitais de crianças que ainda nem sabem escrever completamente o próprio nome. São informações pessoais, preferências, comportamentos e padrões de consumo sendo registrados e armazenados desde a infância.

Diante disso, é urgente que nós, pais, retomemos o protagonismo. Precisamos incentivar mais as brincadeiras fora das telas, o uso da imaginação, o brincar livre, o convívio com outras crianças e com a família. Precisamos, sobretudo, gerir melhor o tempo de exposição às telas, criando espaços reais de diálogo, escuta, afeto e presença.

Não menos importante é conversar com nossos filhos sobre os riscos dessa exposição. Explicar, de forma adequada à idade, sobre abusos, excessos, golpes e situações perigosas que podem surgir no ambiente digital. Silenciar não protege; dialogar, sim.

Escrevo este artigo não apenas como pai, mas também como publicitário. Conheço o poder da comunicação, da segmentação e dos dados. Justamente por isso, me preocupo profundamente com o caminho que a internet vem tomando dentro das famílias. A tecnologia pode ser uma aliada, mas nunca deve substituir o vínculo humano, a educação consciente e o cuidado diário.

Educar nossos filhos é uma responsabilidade que não pode ser terceirizada aos algoritmos. É um compromisso nosso, enquanto pais, cidadãos e sociedade.

 
 Diego Castro Publicitário e Fotojornalista

Comente esta notícia

, 08 de Janeiro de 2026