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Opinião Terça-feira, 24 de Outubro de 2023, 15:26 - A | A

Terça-feira, 24 de Outubro de 2023, 15h:26 - A | A

Jalina Casarin

O feminino ferido e seus reflexos sociais e ambientais

Jalina Casarin
MQF

O primeiro ponto a ser compreendido aqui é que o feminino não está apenas dentro da mulher. O masculino e o feminino são forças que compõe a natureza e que estão presentes tanto no homem como na mulher.

 

Curar o  feminino significa nos reconciliar com a força que gera a vida, que conecta com a divindade, de modo a aceitar a intuição como algo natural e nos abrindo para os sentimentos que estão há muito tempo guardados e negligenciados.

 

O masculino e feminino são energias opostas e complementares, tanto os povos originários quanto a filosofia do trazem isso com muita clareza. Foi a cultura ocidental que separou essas duas energias e, com isso, passamos a nos ver somente com uma polaridade, sempre em busca da outra metade da laranja.

 

Se o feminino é a força de conexão com o Divino, o masculino é de conexão com a Terra. O feminino nutre, o masculino traz segurança. O feminino internaliza e o masculino age. E toda essa polaridade se alterna constantemente dentro de nós. Historicamente, após o marco do nascimento de Cristo, a sociedade dominante no planeta iniciou um processo de ataque ao feminino e de sobreposição do masculino.

 

O problema é que essa sobreposição ocorreu dentro de uma porção distorcida e adoecida do masculino que se manifesta com violência e dominação. Esse foi o início da construção do patriarcado que hoje habita entre homens e mulheres. Por isso, dentro desse processo de trazer para fora as forças do feminino, precisamos olhar para esse masculino adoecido dentro de nós e no meio em que vivemos.

 

Precisamos transformar as crenças que carregamos para permitir que o feminino possa existir e curar, reconectar e intuir, nutrir e amar, em paz. Novamente, é muito importante relembrar que não só as mulheres são prejudicadas por essa distorção da energia masculina, mas os homens sofrem com ela, pois não podem sentir e chorar, não é tolerado que eles se abracem.

 

Desde muito cedo eles têm que construir uma fortaleza emocional que não condiz com a natureza humana. Não é à toa que os homens morrem mais cedo e de forma mais violenta que as mulheres. Isso é só um sinal de como são afetados por essa profunda dor. Desta forma, é importante que não só as mulheres despertem para esse aspecto feminino, mas os homens também e toda a nossa sociedade. Assim, vamos construindo uma sociedade mais justa.

 

Na perspectiva do patriarcado, as sociedades foram se distanciando do seu “sentir” e da compreensão que os povos originários tinham sobre estarmos todos conectados. Esses povos, onde quer que você olhe, África, Américas, Sibéria, Índia, China, Japão, Havai, sempre viram a Terra como uma “grande Mãe”, a maior personificação do feminino que podemos nos relacionar e somos feitos e nutridos dela, somos mantidos por ela que nos dá tudo.

 

Portanto, ao nos distanciar do feminino, a nossa sociedade começou a ver a Terra somente como uma fonte de recursos, um ser sem vida. Iniciou-se essa exploração desenfreada que nos levou ao aquecimento do planeta e a grandes mudanças que estão por vir, como bióloga posso afirmar isso. Mas, ao mesmo tempo que modificamos o planeta ao ponto de colocarmos nossa espécie em risco, todas as alterações também têm nos exigido “despertar” para esse padrão gerador do adoecimento.

 

Quando estamos em equilíbrio com nosso mundo interno, com nossas polaridades e relações, automaticamente vamos viver de forma mais harmoniosa com na Terra, destruindo menos e cooperando mais. Trabalhar pela cura do feminino é sobre equilibrar feminino e masculino, é ver o ser humano de forma integral e holística. Assim, o reflexo fora de nós será de uma “grande tribo” onde todos vão ter o seu papel.

 

Jalina Casarin, graduada em Turismo e Biologia, mestre em Recursos Naturais, professora e terapeuta de Leitura das Dimensões e Alinhamento Energético, com ênfase no sistema de cura entre mulheres.

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Cuiabá MT, 19 de Maio de 2024