A deputada federal Gisela Simona (União Brasil) tem intensificado, neste início de 2026, os alertas sobre um risco crescente no processo eleitoral: o uso de ferramentas de inteligência artificial, como deepfakes e deep nudes, para desqualificar moral e politicamente mulheres candidatas. Segundo a parlamentar, a prática pode causar danos irreversíveis à participação feminina na vida pública durante as eleições deste ano.
Líder da bancada feminina do União Brasil e vice-líder do maior bloco parlamentar da Câmara dos Deputados, com 363 integrantes, Gisela tem abordado o tema em entrevistas à imprensa, palestras pelo interior de Mato Grosso e participações em rádio, TV e podcasts. Para ela, esse tipo de violência digital ultrapassa o campo dos crimes cibernéticos e revela uma estratégia clara de exclusão das mulheres da arena política.
“O uso de deepfakes e deep nudes não é apenas um ataque individual. Trata-se de uma tentativa deliberada de substituir o debate de ideias pela exposição e objetificação do corpo feminino, desqualificando trajetórias políticas”, afirmou.
A deputada alerta que, durante o período eleitoral, essas ferramentas tendem a ser utilizadas de forma massiva. Segundo ela, mesmo quando a falsidade do conteúdo é comprovada, o dano à reputação já está consolidado. “Isso pode sufocar candidaturas femininas antes mesmo que elas comecem de fato”, ressaltou.
Diante do cenário, Gisela defende a adoção de mecanismos mais rigorosos para impedir a disseminação desse tipo de conteúdo e responsabilizar não apenas os autores, mas também as plataformas digitais que o amplificam. A parlamentar pretende levar ao debate, neste retorno aos trabalhos legislativos, propostas para obrigar provedores de redes sociais a remover rapidamente conteúdos abusivos, sob pena de multas e outras sanções.
“A evolução tecnológica pode ser usada para destruir reputações em segundos, muito antes que qualquer checagem ou decisão judicial consiga reparar o dano no imaginário do eleitor”, destacou.
Segundo Gisela, o problema não é a ausência de legislação, já que existem normas que criminalizam a violência digital contra a intimidade das mulheres, mas sim a falta de responsabilização efetiva. Ela defende novas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, incluindo a possibilidade de cassação de registro ou mandato de candidatos que utilizarem deepfakes para prejudicar adversárias, além da criminalização específica do deep nude, com penas de até seis anos de reclusão, agravadas quando a vítima for mulher.
O alerta da deputada vai ao encontro das recentes manifestações da ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, que destacou, em seminário sobre desinformação e segurança no processo eleitoral, o crescimento preocupante do uso de inteligências artificiais para disseminar notícias falsas. Segundo a ministra, essas práticas buscam gerar descrença e comprometer a liberdade de escolha do eleitor, transformando o ambiente digital em um verdadeiro campo de batalha.


