Resultados expressivos de uma pesquisa científica inédita realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reacenderam a esperança de pacientes com lesão medular. O estudo experimental, baseado na extração de proteínas da placenta, possibilitou a recuperação parcial dos movimentos em cães e apresentou regeneração total e parcial em seis pessoas com o mesmo diagnóstico.
Diante desse avanço, considerado um marco exclusivamente nacional, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) propôs a criação da Política de Incentivo à Pesquisa, ao Desenvolvimento e à Aplicação da Polilaminina no estado de Mato Grosso. A iniciativa foi apresentada durante sessão plenária realizada nesta quinta-feira (19), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
“O Brasil impressionou o mundo nos últimos dias com a cientista e bióloga da UFRJ, Tatiana Coelho Sampaio, que liderou a recuperação de pacientes tetraplégicos e paraplégicos. Essa pesquisa traz esperança. Por isso, proponho este projeto de lei para que Mato Grosso também avance nesse caminho, criando uma política estadual de incentivo à pesquisa nessa área”, destacou o parlamentar.
De acordo com a pesquisadora, a polilaminina é estudada desde 1997 e já demonstrava potencial para reverter lesões na medula espinhal. O processo de obtenção da patente levou mais de 18 anos. Após a fase acadêmica, que envolveu pesquisadores, médicos, fisioterapeutas e estudantes, o próximo passo será a realização de novos testes clínicos, mediante autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atendendo a critérios rigorosos de segurança e eficácia.
Segundo Tatiana, o tratamento possibilita restabelecer a comunicação entre neurônios do cérebro e da medula espinhal, interrompida em casos de lesão. “Foi descoberta uma forma de permitir que essa comunicação volte a acontecer”, explicou a cientista. O estudo contou com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Wilson Santos esclarece que o projeto de lei tem como foco incentivar o Governo de Mato Grosso, por meio de instituições científicas estaduais, a estruturar uma política pública voltada ao desenvolvimento e à aplicação da polilaminina. A proposta também busca ampliar o acesso à inovação científica, fomentar pesquisas tecnológicas na área da saúde e fortalecer a assistência sob uma perspectiva social e inclusiva, garantindo a dignidade da pessoa humana e o direito à saúde.
Com a aprovação dos requisitos exigidos pela Anvisa, os pesquisadores da UFRJ poderão avançar para a fase de testes clínicos formais. Caso os resultados sejam positivos, a expectativa é que o medicamento à base de polilaminina possa futuramente ser disponibilizado na rede pública de saúde e incorporado aos protocolos médicos para o tratamento de vítimas de trauma na medula espinhal.




