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Economia Terça-feira, 14 de Novembro de 2023, 14:12 - A | A

Terça-feira, 14 de Novembro de 2023, 14h:12 - A | A

em Mato Grosso

Número de inadimplentes acumula alta de 6,65% nos últimos 12 meses

Com Assessoria CDL
MQF

Conforme levantamento do Núcleo de Inteligência de Mercado da CDL Cuiabá, através do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), houve um crescimento de 0,23% no número de inadimplentes na passagem de setembro para outubro de 2023, o que representa cerca de 27.239 inadimplentes a mais no Estado. Para a região Centro-oeste o índice ficou (-0,42%) e a média Nacional foi (-0,51%). A faixa etária com maior participação proporcional está entre 30 a 39 anos (26,15%) e a distribuição por sexo segue sendo (53,54%) homens e (46,46%) mulheres.   

O SPC Brasil estima que o mês de outubro fechou com aproximadamente mais de 66,24 milhões de pessoas inadimplentes em todo o território nacional, o que representa cerca de 40,49% da população adulta brasileira. Para Mato Grosso, o número fica próximo a 1,211 milhão de pessoas, o que representa cerca de 46,45% da população adulta do Estado.    

Em outubro de 2023, cada cidadão negativado devia, em média, R$ 4.490,83 na soma de todas as dívidas, cerca de 31,85% dos cidadãos tinham dívidas de até R$ 500,00, 13,68% tinham dívidas de R$ 500,01 a R$ 1.000,00, 19,21% tinham dívidas de R$ 1.000,01 a R$ 2.500,00, 19,47% tinham dívidas de R$ 2.500,01 a R$ 7.500,00 e 15,79% tinham dívidas acima de R$ 7.500,00. O valor total para o montante das dívidas no Estado é de cerca de 5,44 bilhões.  

O tempo médio de atraso dos devedores negativados é de 24,5 meses, dentre o total de devedores, 35,54% estão inadimplentes entre 1 a 3 anos.   

Quando se analisa as dívidas em atraso em Mato Grosso na passagem de setembro para outubro de 2023, cresceu 0,13%, ao contrário da região Centro-Oeste, que teve uma queda de -0,31%, e da média nacional, que também teve uma redução de -0,47%.  Cada cidadão mato-grossense devia, em média, cerca de 2,122 dívidas em atraso, ficando abaixo da média da região Centro-Oeste e acima da média nacional de 2,095 por pessoa. Estima-se que a população economicamente adulta em Mato Grosso possui aproximadamente 2,57 milhões de dívidas pendentes. 

Ao analisar os maiores credores por setor da economia, os bancos continuam com a maior fatia das dívidas a receber com 45,03%, seguido pelo comércio (27,21%), água e luz (16,08%), comunicação (4,15%) e outros (7,53%).  

 

COMPARATATIVO 

No comparativo com outubro de 2022, houve aumento de 6,65% no número de inadimplentes no estado, o que representa um aumento acima de 75 mil novos CPFs com restrições ao crédito. A região Centro-Oeste apresentou aumento de 2,59% e nacionalmente crescimento de 4,14% no número de inadimplentes.  

Ao analisar apenas o acumulado do ano de 2023, de janeiro a outubro, o índice fica ainda maior, apresentando um aumento de 8,6%, o que resulta em quase 96 mil pessoas negativadas.  

 

 ANÁLISE 

De acordo com o superintendente da CDL Cuiabá e responsável pelo Núcleo, Fábio Granja, nesse ano de 2023 a inadimplência teve oscilações entre aumentos e quedas. Contudo, é importante ficar em alerta, já que os últimos três meses representam juntos 61% do total de aumento obtido no ano. “Do total aproximado de 96 mil pessoas que entraram para a lista de inadimplentes em Mato Grosso em 2023, em torno de 58,6 mil pessoas tornaram-se devedoras somente nos últimos 3 meses. Tendo aumentos mais significativos em agosto e setembro. Com isso, é importante analisar principalmente durante 2023 dois setores da economia, o primeiro é o setor dos bancos que apresentou um crescimento no número de dívidas a receber de janeiro a outubro de 36 mil e o setor de água e energia com mais de 34 mil novas dívidas a receber”, disse ele. 

Conforme o superintendente ainda, apesar do programa Desenrola ter resultado em diversas negociações, não foi possível ainda estancar o crescimento das dívidas com os bancos e por outro lado demonstra que parte da população está cada vez mais com dificuldades em cumprir com os compromissos básicos do dia a dia como água e energia. 

“Existem vários motivos que podem estar levando a esse aumento da inadimplência. Podemos citar a falta de planejamento financeiro pessoal e familiar, a cultura pelo consumo, a insegurança do cidadão perante o mercado econômico, a renda informal que não possui estabilidade provocando oscilações na capacidade de pagamento e a massa salarial afetada principalmente desde a pandemia que não conseguiu acompanhar os índices inflacionários”, disse Granja, reforçando que “desta forma, é preciso criar cada vez mais políticas públicas e privadas capazes de reforçar junto a cada cidadão o tema educação financeira, o planejamento financeiro precisa fazer parte da vida das pessoas para poderem consumirem de forma mais consciente e organizada. Contudo, as pessoas que estão na informalidade precisam se reorganizarem, se preparem e entenderem as vantagens que o mercado formal pode proporcionar em suas vidas, principalmente no sentido de segurança de renda”. 

Segundo a análise do superintendente também, “quanto a massa salarial, essa só poderá ser recuperada a partir do momento que ocorrerem políticas públicas capazes de gerar um ambiente de negócios mais seguro para investimentos por parte dos setores produtivos, com menos burocracias, menos custos operacionais e mais acesso ao crédito, já que o nível de inadimplência das empresas está alto, chega a quase 6,6 milhões de empresas inadimplentes no país. Infelizmente boa parte delas ainda não conseguiram se recuperar da crise afetada pela pandemia, pois para manterem empregos e as portas abertas tiveram que se endividar. A partir do momento que existir um ambiente de negócios mais favorável, investimentos surgirão e naturalmente a massa salarial vai aumentar, assim como o aumento do consumo e o fortalecimento econômico”, conclui Granja.

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Cuiabá MT, 25 de Maio de 2024