‘Planeje, saiba o que quer comprar, pesquise, compare e fique alerta com as ofertas’. Com essa frase — e com a bagagem de mais de duas décadas atuando como conciliadora e secretária-adjunta do Procon Mato Grosso, antes de assumir há dois anos a Câmara Federal — a deputada Gisela Simona (União Brasil) alerta consumidores que pretendem aproveitar a Black Friday, marcada para esta sexta-feira (28 de novembro).
Na noite de quarta-feira (26), durante participação na live Cuidados e Direitos do Consumidor no Período da Black Friday, promovida pela Comissão de Direito do Consumidor da Associação Brasileira de Advogados (ABA), a deputada — ao lado dos advogados Manoel Menezes e Angélica Angulo — destacou erros comuns cometidos nesta época do ano, quando há grande concentração de consumidores em busca de promoções.
De acordo com a parlamentar, este é um momento que exige precaução para evitar fraudes, ofertas enganosas e práticas abusivas. Ela lembrou que muitos fornecedores se aproveitam da data para inflar preços dias antes, reduzindo-os apenas no dia da promoção, criando a ilusão de desconto.
Para garantir vantagem real e não prejuízo, Gisela reforça que o primeiro passo é saber exatamente quanto se pode gastar, já que grande parte dos problemas enfrentados pelos consumidores nasce do impulso. “É necessário ter clareza do que deseja e do quanto pode gastar, pois isto evita um endividamento que pode comprometer as finanças pessoais ou familiares por muito tempo”, afirmou.
Ainda conhecida como “Gisela do Procon”, a parlamentar também alertou para uma estratégia cada vez mais comum em lojas físicas e digitais: anunciar que “todo o mês é Black Friday”, quando, na prática, os preços permanecem iguais ou até mais altos que o normal.
Outro ponto classificado por ela como “crucial” é a segurança das compras online. A deputada recomenda evitar pagamentos via Pix ou boleto, modalidades que não oferecem margem de contestação em caso de golpe. “No ambiente digital, o cartão de crédito ainda é o mais seguro. Se o site for falso ou o produto não chegar, há tempo para impedir a cobrança e contestar a transação”, alertou.
Para minimizar riscos, Gisela orienta que o consumidor sempre verifique o CNPJ, a reputação da loja, canais de atendimento e, principalmente, a segurança da página. “Minha experiência de anos no Procon me leva a recomendar que as pessoas verifiquem a URL e os selos de segurança. O endereço do site deve começar com ‘https://’ e ter um cadeado fechado ao lado esquerdo da barra de endereços. Além disso, confiram a reputação da loja e avaliações em sites de reclamações”, reforçou.
Durante o bate-papo, ela também chamou atenção para um fenômeno recente: o uso de Inteligências Artificiais para criar propagandas exageradamente atraentes, com imagens hiper-realistas que dão beleza e eficiência a produtos às vezes inexistentes.
A deputada destacou ainda que os direitos básicos permanecem válidos mesmo em períodos promocionais. O consumidor deve guardar a nota fiscal, acompanhar o prazo de entrega e checar a política de troca e devolução.
E, sobretudo, não se esquecer do direito de arrependimento: o consumidor pode desistir da compra em até 7 dias corridos, sem necessidade de justificativa e com devolução integral dos valores pagos.



