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Política Sexta-feira, 13 de Março de 2026, 11:07 - A | A

Sexta-feira, 13 de Março de 2026, 11h:07 - A | A

SETOR MINERAL

ALMT avança na criação da Política Estadual de Mineração e projeto deve ir à votação

Proposta prevê sistema estadual para o setor, investimentos em pesquisa geológica e criação de laboratório de análise de rochas em Mato Grosso.

MQF
Da Redação

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) avançou na construção de uma política pública para o setor mineral durante reunião da Câmara Setorial Temática (CST) da Mineração, realizada nesta quinta-feira (12), na sala Sarita Baracat.

O encontro reuniu representantes do poder público, da academia e do setor produtivo para discutir os avanços na elaboração da Política Estadual de Mineração, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso.

Entre os pontos debatidos está o Projeto de Lei nº 952/2025, de autoria do deputado Max Russi (Podemos), que deve ser votado em plenário na próxima semana. A proposta institui a Política Estadual de Mineração e prevê a criação de um sistema estadual para o setor, incluindo conselho, mecanismos de fomento e instrumentos para estimular investimentos e fortalecer a cadeia produtiva mineral.

Segundo a vice-presidente do grupo de trabalho, Taís Costa, o projeto já passou pelas comissões do Parlamento e deve seguir para a primeira votação em plenário na próxima quarta-feira (18).

“Estamos na etapa final de construção da Política Estadual de Mineração, que estabelece um marco regulatório para organizar e fortalecer o setor no estado”, explicou.

Taís também destacou que a proposta foi construída com apoio do governo estadual e de diferentes instituições técnicas. Ela ressaltou a articulação do deputado Max Russi, responsável pela criação da CST, e a parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec).

O modelo adotado buscou referências em estados com tradição na atividade mineral, como Goiás e Pará. Atualmente, Mato Grosso ocupa a quinta posição na atividade mineral no país, e a expectativa é que a nova política amplie a participação do setor na economia estadual.

Durante a reunião, o secretário adjunto de Mineração da Sedec, Paulo Leite, afirmou que o potencial mineral do estado ainda é pouco explorado e que a estruturação de políticas públicas é fundamental para atrair investimentos.

Segundo ele, uma das prioridades é ampliar o conhecimento sobre o subsolo mato-grossense por meio de mapeamentos geológicos detalhados. Para isso, o governo prepara uma parceria com o Serviço Geológico do Brasil e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).

“O estado não consegue desenvolver uma política mineral forte sem conhecer melhor o próprio subsolo. Esses mapeamentos são fundamentais para atrair investidores”, afirmou.

De acordo com Paulo Leite, o investimento previsto para essa etapa é de cerca de R$ 40 milhões neste ano e mais R$ 40 milhões no próximo, destinados à realização dos levantamentos geológicos.

Outra iniciativa anunciada é a criação de um laboratório de análise de rochas em Mato Grosso, com investimento estimado em cerca de R$ 30 milhões, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Atualmente, mineradores precisam enviar amostras para outros estados, principalmente Minas Gerais, para realizar análises laboratoriais, o que aumenta custos e prazos. Com a nova estrutura, a expectativa é agilizar processos e estimular a atividade mineral.

O doutor em geologia Francisco Pinho destacou a necessidade de ampliar a presença institucional do Serviço Geológico do Brasil em Mato Grosso, que atualmente possui apenas um escritório de apoio no estado e depende administrativamente da estrutura instalada em Goiás.

Segundo ele, o conhecimento geológico do território brasileiro ainda é limitado e grande parte de Mato Grosso permanece pouco mapeada. O especialista defendeu a criação de uma superintendência regional do órgão no estado para fortalecer a produção de dados técnicos e ampliar os estudos sobre o potencial mineral.

Já o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn, ressaltou que os investimentos em mapeamento geológico e pesquisa mineral têm impactos que vão além da mineração.

Segundo ele, os dados geológicos contribuem para o planejamento territorial, para o acesso à água subterrânea, para a redução de custos na construção civil e para o desenvolvimento de políticas públicas.

“A mineração está presente em praticamente tudo no nosso dia a dia, desde a construção de escolas e hospitais até tecnologias utilizadas na educação e na transição energética”, explicou.

Também participaram da reunião representantes da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), da UFMT, da Sedec e do Serviço Geológico do Brasil.

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, 13 de Março de 2026